Uma vez vi numa série de TV (The L word) a seguinte frase: “Uma pessoa é hetero até que um dia o deixa de ser”!
No fundo acho que passa um pouco por aí! Não é um click que se dá na pessoa mas sim um processo pela qual ela passa até perceber aquilo que realmente quer.
No meu caso, sempre tive a mente aberta a todo o tipo de experiências. A homosexualidade não era uma delas… até mais ver! Sempre gostei de raparigas e embora não me relacionasse com nenhuma devido ao meu constante medo de compromisso nunca pus a hipótese de vir a ter uma relação com uma pessoa do mesmo sexo. Pus sempre o plano sentimental para segundo plano. Tenho amigos que adoro e estar sozinho não me fazia (faz) a mínima confusão.
… até que um dia sem me ir apercebendo fui-me apaixonando por um amigo meu, que por sua vez é gay. Sempre soube que ele era gay, mas ter amigos gay não me fazia a mínima confusão. Falava com ele sobre tudo. Ficámos realmente amigos até que houve um momento em que me apercebi que amizade não era a única coisa que sentia por ele. Entrei em choque. Era tudo muito novo para mim. Estar apaixonado por um rapaz era demasiado estranho para mim. Entri na fase de negação. “Gaspar, tu és hetero. Não estás apaixonado por ele. Estás é apenas a criar uma amizade muito especial, só isso. Ele dá-te bastante atenção e tu estás bastante carente. Só isso! Resigna-te à verdade!”. Fui-me afastando dele à medida que me fui apercebendo que não era apenas uma amizade especial que sentia.
No entanto, um dia, o tal rapaz disse-me: “Gaspar, eu… … … … … … gosto de ti!”.
No fundo eu acho que já sabia disso. Sabia que ele era gay e ele dava-me bastante atenção. Acho que já sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer. Fiquei então num dilema. Ou lhe dizia que sentia o mesmo ou lhe dizia apenas que não sentia o mesmo e fazia a conversa do costume… bla bla bla.
Decidi-me por ser sincero (GRANDE ERRO) e dizer que sentia o mesmo por ele. No entanto, disse-lhe logo que independentemente disso eu era hetero e por isso nunca poderíamos ter o que quer que fosse. Gostava bastante dele como amigo mas não poderia acontecer mais nada. Ele eu eu éramos do mesmo sexo e eu não conseguía conciliar isso com uma relação. Ele ficou em choque. Não estava nada à espera que eu lhe dissesse isso. Errei. Sei que errei! Errei porque ele por muito que soubesse que não iria resultar em nada tinha sempre uma luz ao fundo do túnel que lhe permitia ir andando: o facto de eu gostar dele. Ele tentou, tentou, tentou, tentou que eu me decidisse a tentar qualquer coisa até que um dia tive que me chatear e me afastar mesmo dele. A minha cabeça não estava plena e não conseguia lidar com este tipo de coisas. Eu gostava de uma pessoa que à partida não poderia gostar. Para mim era tudo muito confuso e decidi simplesmente reprimir o sentimento que tinha e seguir em frente deixando o plano sentimental como sempre para segundo plano.
Afastamo-nos um do outro e acabámos por perceber que as coisas não iam resultar.
Mais tarde apareceu o meu namorado que na altura era apenas meu amigo. Ele, eu, a Vanda e a menina da Vanda iamos sair os quatro. A Vanda e a miuda dela tiveram um click imediato. Eu não tive. Ele teve! Ele começou a ficar interessado em mim. Ele sabia que eu era hetero e eu sabia que ele era gay. Nunca pus a hipótese de me vir a apaixonar por ele. E sabia que se viesse faria apenas não mais que o que tinha feito da primeira vez: Reprimir reprimir reprimir reprimir. Acabei por achá-lo um grande amigo. Porém nessa altura já ele me via como um “belo naco de carne” muito “querido e fofinho”. LOOOL
As coisas acabaram por acontecer sem eu me aperceber muito delas. Isto é, num momento eu era hetero, no momento seguinte eu estava no cinema com um amigo e no momento seguinte tinha dado o primeiro gay da minha vida. Foi tudo bastante rápido. Se não o fosse tenho a certeza que me tinha afastado dele. Ainda bem que assim foi!
No fundo eu acho que todos sabemos um bocadinho enquanto heteros se consideramos a possibilidade de termos algo com uma pessoa do mesmo sexo. O que acontece é que reprimimos sempre esse sentimento. Estamos destinados a ser heteros. Descobrir que secalhar não somos assim tão heteros é complicado. Mas no fundo acho que sempre soubemos!! O que me levou a encarar as coisas com mais naturalidade foi ter amigos gays me mostraram que o mundo da sexualidade pode assumir diferentes formas. Ter pessoas com quem se pode falar abertamente sobre as coisas que nos vão na alma ajuda-nos sempre a levar as coisas com maior naturalidade, responsabilidade e abertura face às novas situações da vida!
Ser gay, hetero, lésbico, não é relevante! Somos pessoas, isso sim é relevante! Eu gosto de azul, tu gostas de amarelo! Que seria do mundo se todos gostássemos de amarelo!!
PS: Jin20 espero que tenhas ficado esclarecido! Eu e a Vanda estamos disponíveis para todas as duvidas e sugestões
Gaspar